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quarta, 29 de março de 2017

Gildo Volpato

Um grito coletivo pela ética e pelos bons princípios

Já disse um consagrado pensador que todas as épocas são especiais. Sendo assim, mesmo as de guerra e de aflição merecem nossa atenção. Mesmo as épocas de crise merecem minucioso cuidado, pois têm algo a nos ensinar e a nos oportunizar.

Especialmente uma época como a que estamos vivenciando, em que as denúncias de corrupção são infindáveis e os envolvidos, por mais provas que sejam apresentadas, negam vergonhosamente a autoria.

Em vez de desânimo, é hora de arregimentar as forças morais e éticas da sociedade, das organizações e das instituições para que se aproveite a emergência da lama para fazer uma limpeza que seja efetiva a partir do cidadão, do seu entorno e dos mais diversos grupos sociais, embora muitos que militam em partidos políticos não acreditem nisso, pois suas ideologias não permitem creditar que ainda há pessoas que não têm partido, apenas primam pela verdade, pela honestidade e pelos bons princípios.


Em vez de ficarmos defendendo ideologias e partidos políticos, deveríamos tomar este momento de crise e fazer dele uma grande oportunidade para a Nação Brasileira como um todo exigir as mudanças necessárias na política e na economia e fazer do Brasil o que ele realmente é: uma potência econômica e material, cultural, moral e espiritual. Há que se aproveitar a emergência da podridão e fazer uma assepsia geral e irrestrita para colocar o Brasil nos trilhos do desenvolvimento, com justiça social e espelho ético e moral.

Embora com sentidos distintos, ética e moral são ambas responsáveis por construir as bases que vão guiar a conduta do homem, determinando seu caráter, altruísmo e virtudes, justamente por ensinarem a melhor forma de agir e de se comportar em sociedade. Estão faltando princípios deontológicos na classe política, mas também no povo brasileiro.

Deontologia é uma filosofia que, em grego, significa “ciência do dever e da obrigação”. É uma teoria sobre as escolhas dos indivíduos − quais são moralmente necessárias e servem para nortear o que realmente deve ser feito.

Em uma organização, isso deve estar bem claro. Na UNESC, por exemplo, quando coletivamente definimos nossos princípios e valores, garantimos essa clareza para que eles possam ser seguidos por todos, sem dúvidas ou dúbias interpretações. Assim, na gestão universitária, estabelecemos: gestão democrática, participativa, transparente e descentralizada; qualidade; coerência e eficácia nos processos e nas ações; racionalidade na utilização dos recursos; valorização e capacitação dos profissionais; justiça, equidade, harmonia e disciplina nas relações de trabalho; compromisso socioambiental; respeito à biodiversidade, à diversidade étnico-ideológico-cultural e aos valores humanos. Como profissionais, devemos: ser comprometidos com a missão, com os princípios, com os valores e com os objetivos da Instituição; tratar as pessoas com atenção, respeito, empatia e compreensão; desempenhar as funções com ética, competência e responsabilidade; fortalecer o trabalho em equipe; ser comprometidos com a própria formação.

Esses são princípios pétreos que subentendem uma ética profissional. E isso deve ser estendido à vida social e cidadã.

Que saibamos agir com lucidez e firmeza, com espírito coletivo e responsabilidade social para que, em sentido amplo, possamos voltar a acreditar no futuro do Brasil e da sociedade que podemos construir juntos.