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Tuesday, 31 de March de 2015

Giovani Felipe

Nossa Páscoa de cada dia!

Vivemos em um tempo difícil, presenciamos guerras religiosas espalhadas por todo o mundo. A todo instante presenciamos notícias de atentados terroristas e mortes provocadas por motivações religiosas. O estado islâmico está tocando o terror no mundo, perseguindo e matando cristãos. Diante disso, que páscoa devemos comemorar? Ou que páscoa devemos refletir?

A páscoa a festa dos pães ázimos é uma comemoração milenar e anterior ao Cristo que por coincidência venho a viver sua via-crúcis neste período. No último fim de semana fui convidado, em uma missa, pelo Padre de minha paróquia, a fazer uma reflexão sobre que personagem me identificará, com aqueles envolvidos da Paixão de Cristo. Tal questionamento nos convidava a refletir sobre nossas ações e equipará-las por aqueles que viveram as últimas horas com Cristo. Todavia, minha reflexão é como historiador crítico e participativo, que fez um juramento para ensinar as pessoas a buscar um conhecimento científico crítico.

As guerras islâmicas ou jihad´s, são atos cometidos por obstinados a causa de Alá, pessoas que não compreenderam a divisão entre estado e religião, questão esta que os Cristãos as duras penas também levaram anos a conhecer. Ou seja, o que estamos vendo nos dias de hoje, presenciamos ao longo da História, cristãos católicos perseguindo e matando milhares de pessoas, em nome de Deus, sejam elas na fogueira ou forca, oriundas do tribunal da inquisição, a diferença que naquela época não havia internet.

Há muitas atrocidades eram cometidas na Páscoa. Seria esta páscoa que devemos comemorar? Seriam os personagens destes tempos que devemos nos identificar? Presenciamos também muitos cristãos pentecostais ou luteranos perseguindo e matando milhares de anabaptistas na Europa sem dó e nem piedade.

As perseguições durante muitas páscoas pelos cristãos aos índios nativos foram e são episódios que merecem a devida reflexão também.

Menciono tais fatos, pelo simples fato, de que nestes 2015 anos, muitas atrocidades foram cometidas em nome de Deus e em nome da liberdade. A mesma liberdade que o Cristo queria, uma liberdade que houvesse amor ao próximo em primeiro lugar, mas seus seguidores reprimiram e perseguiram e mataram milhares e não levaram a sérios seus ensinamentos.

A páscoa que aprendi no tempo do seminário, seria um momento de reflexão e recolhimento, momento de abstinência, de oração, perdão, um momento acima de tudo da vitória de Jesus Cristo. A vitória de cada dia seria o amor ao próximo e a vivência do maior mandamento do Messias: Amar ao próximo como a si mesmo independente de cor, raça, língua e religião.

O personagem que eu escolhi para refletir a pedido do Padre, seria justamente a pessoa de Maria Madalena, injustiçada e perseguida. Uma “mulher” que representa tantas outras mortas na fogueira e tachadas de bruxas. Escolhi a mulher, para refletir sobre a religião atual e o espaço que a mesma dá a ela.

Refletir sobre mulheres que ainda nos dias de hoje sofrem as opressões machistas de uma sociedade e de religiões preconceituosas, que ainda hoje não vivem a devida páscoa e não compreenderam a essência do cristianismo que ainda é utópico.

A reflexão que busco, peço e desejo é que a virtude desta páscoa seja realmente a vitória sobre a opressão, sobre os maus feitos cometidos a todas(os) aquelas(les) que ainda estão longe de uma Feliz Páscoa.