Ir para o Conteúdo da página Ir para o Menu da página
segunda, 26 de dezembro de 2016

Gildo Volpato

Natal: uma reflexão séria e verdadeira!

O Natal é um acontecimento que, por sua magnitude histórica e simbólica, transcende o foco religioso. A figura de Jesus continua sendo um ícone pleno de significados, um paradigma definindo valores e comportamentos, um divisor de águas no tempo e na perspectiva dialética da história, da sociedade e das próprias religiões. O homem que trouxe o perdão, a ideia de inclusão, de compaixão e de mansidão, em uma época do “ olho por olho”, da lei de Talião.

Não obstante, todas as contradições que possam permanecer em meio a profusão de igrejas, de placas, de tendências e de nomenclaturas que usam seu nome com os mais sublimes ou torpes objetivos, livros e teorias, Jesus, no que há de mais tangível, trouxe a clareza em sua mensagem: “Amai a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo”. Palavras tão singelas impõem desafios tão gigantes a cada um de nós, à sociedade e a toda a humanidade.

Ao fazer um exercício de imaginação, como seria o mundo se cada um de nós tivesse cumprido o que preceitua esse desafio de amar o próximo como a si mesmo? Como seriam nossos atos, atitudes e reações se a todo o momento pudéssemos colocar em prática essas palavras, esse único mandamento que sintetiza todos os outros? Provavelmente a cultura do ego, do consumismo, da competição, do materialismo seria revista. Que valores orientariam nossas vidas? O que significa ser feliz? São boas reflexões para nosso tempo, nessa época em que nossos corações estão tocados de alguma maneira.

Podemos olhar também Jesus como um grande líder que nos deixou exemplo de transformação, de solidariedade, de inclusão, de justiça, de direitos humanos, de igualdade e de enfrentamento aos poderosos marcados pela soberba, pela opressão e pela indiferença aos que sofrem e são deixados à margem. Nesse sentido, podemos pensar sobre o hoje. Onde estão os líderes que poderiam apontar para um futuro de esperança, de ideais de justiça social, de humanidade, de solidariedade, de igualdade e de oportunidades para todos? Por que corremos tanto atrás de coisas que talvez não preencham nosso vazio interior nem nos levem ao estado de felicidade almejado?

Sejamos felizes e capazes de exercer essa força de renovação. Essa consciência de que somos seres em construção e, por isso, podemos melhorar sempre. Dessa forma, devemos compreender e perdoar uns aos outros, afinal todos estamos em construção. Talvez a paz venha daí, de dentro de nós, dessa capacidade sincera de sermos melhores, não só nas capacidades intelectuais e tecnológicas, mas a partir do coração.

Feliz e santo Natal!