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quinta, 12 de janeiro de 2017

Gildo Volpato

Feliz aniversário, Criciúma! Nosso reconhecimento aos que nos antecederam

Escrevo este texto com os olhos e a atenção voltados para o dia 6 de janeiro, uma data significativa para todos os criciumenses, pois se iniciou a colonização e a chegada dos italianos a nossa cidade, por ser data de aniversário do Cel. Pedro Benedet, um dos imigrantes pioneiros que aqui chegou ou, simplesmente, por ser o Dia de Reis.

Outros dizem que os imigrantes já estavam neste lugar desde 1879. Contudo, aqui estamos todos, vindos de vários momentos ao longo desses 137 anos: alemães, afros, portugueses, poloneses, espanhóis, árabes e tantas outras origens, juntos construindo esta cidade trabalhadora, empreendedora, pujante e criativa, de tal forma que se fez polo e referência de toda a região.

Estamos tão preocupados com o futuro e em vencer desafios que, muitas vezes, nos esquecemos de reconhecer o valor de quem veio antes. Nesta palavra (reconhecimento), é que podemos unir os dois eventos que marcam para nós essa data: chegada dos pioneiros italianos e visita dos Reis Magos ao Menino Deus.

Quantos de nós se detêm com algum tempo, atenção e conhecimento para reconhecer o tanto que devemos a esses pioneiros que aqui primeiro chegaram?

Já imaginamos detidamente o grau de dificuldade que nossos primeiros imigrantes enfrentaram? Depois de 30 dias no mar, oriundos do Porto de Gênova, chegaram ao Rio de Janeiro e, depois, embarcaram em outro navio com destino a Florianópolis. Noutro barco, viajaram até Laguna e, dali, até Pedras Grandes, então município de Tubarão.

Em canoas e a pé, viajaram até Urussanga (Rancho dos Bugres) e, dali, por picadas abertas, por corretores de colônias e por aquelas utilizadas pelos antigos tropeiros provenientes do Planalto Serrano, foram, então, para as colônias que lhes foram reservadas ainda nas suas terras de origem, além do mar.

Aí estava apenas o começo de uma luta tenaz, heroica e vitoriosa, mas realizada a muito custo, sacrifício, lágrimas, abandono e doenças. Tudo superado pela obstinação, garra, fé e trabalho. Com a maioria das promessas não cumpridas pelos agenciadores da imigração e pelo governo do Império Brasileiro, nossos antepassados foram largados em terreno “selvagem”, com poucos recursos que não fossem sementes, algumas ferramentas e suas próprias mãos. Onças, índios e o desconhecido completavam o cenário onde se escreveriam páginas de bravura e de destemor desses que vieram antes de nós.

Aqueles índios que nós quase dizimamos – aliás, quem estaria mais assustado: os índios, por ver aquele povo estranho chegar, acampar e “se adonar” do que antes era deles, ou os colonos, por estarem desprotegidos e à mercê da própria sorte em terra estranha para quem índio talvez não fosse gente? – hoje nos ensinam o quanto devemos valorizar nossos antepassados. “Somos elos de uma corrente que vem do passado e vai para o futuro. Com elos, nunca estamos sozinhos e sabemos que a vida tem um sentido”, uma sabedoria guarani para fazer com que voltemos a valorizar nossos avós e bisavós que tanto lutaram para estarmos hoje aqui, com tantas benesses.

Vieram de longe, venceram e prosperaram, dando origem a esse polo econômico e cultural que continuamos construindo atualmente, assim como de longe partiram os Reis Magos, a fim de cumprir o reconhecimento de Deus na Terra. Reconhecer, portanto, é valorizar a que devemos dar atenção. Como diz o ditado popular, “quem não sabe de onde vem, não pode saber para onde vai”. Dessa forma, reconhecer o valor de outro, do próximo e de quem está ao nosso lado agrega sempre algo a mais em nós. O reconhecimento é a chave para essa nossa condição de seres inacabados, em construção, em evolução.

Precisamos nos humanizar cada vez mais, seja pelo reconhecimento de quem veio antes e preparou o caminho para nós, seja de quem caminha junto a nós. O reconhecimento é um valor que abre portas a outros valores indispensáveis para nossa melhoria, da sociedade e do mundo. Vamos juntos, com reconhecimento, fazer um ano melhor.

Parabéns aos pioneiros, a seus descendentes e a todos que chegaram e aqui estão construindo, juntos, esta terra que amamos e queremos ver melhor com todos e para todos.

* Esse texto conta com informações do escritor Archimedes Naspolini Filho