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Monday, 01 de May de 2017

Gildo Volpato

Apontamentos e reflexões sobre o dia do trabalho

Comemorado no dia 1º de maio, o Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador é uma data comemorativa usada para celebrar as conquistas dos trabalhadores de todas as áreas e atividades laborais ao longo da história. Nessa mesma data, em 1886, ocorreu, na cidade americana de Chicago, uma manifestação de milhares de trabalhadores que protestaram contra as condições desumanas de trabalho e a enorme carga horária pela qual eram submetidos (13 horas diárias). A greve paralisou os Estados Unidos.

No dia 3 de maio, houve vários confrontos dos manifestantes com a polícia. No dia seguinte, esses confrontos se intensificaram, resultando na morte de diversos manifestantes. As manifestações e os protestos realizados pelos trabalhadores ficaram conhecidos como a Revolta de Haymarket.

Após essa rápida revisão histórica, nós podemos perceber que, em vários aspectos, essa realidade mudou. No entanto, mesmo parecendo contraditório, muita coisa também continua igual ou até pior, em tempos de globalização. Em diversos lugares, ainda há muito pelo que se lutar.

Vivemos já, em termos de desemprego estrutural, extinção de funções e o trabalho deixando de ser algo seguro e estável. Sob o domínio do deus Mercado, muitas vezes fazemos vistas grossas a um panorama internacional de exploração e escravização (em que China e Indonésia são apenas os exemplos mais visíveis), desde que as prateleiras estejam recheadas de produtos de necessidade duvidosa, mas que movimentam as rodas de uma economia internacional que paira acima de tudo, principalmente das pessoas, da natureza e da vida. Não precisamos ir muito longe para verificarmos a realidade do trabalho escravo, subemprego, dívida social, exploração e ausência de valores nas relações “produtivas”.

Estamos, neste momento, diante de reformas trabalhistas e da previdência. Sabemos da importância delas pela conjuntura econômica que passamos, mas não podemos imputar aos trabalhadores toda a culpa da má versão dos recursos públicos, da máquina pública que pesa sobre nossos impostos e da corrupção que desvia o dinheiro que deveria estar sendo aplicado nas escolas, nos hospitais e na segurança pública.

No Brasil, esse verdadeiro cabo de guerra entre os interesses dos poderosos e as necessidades da maioria da população brasileira, a qual ganha pouco e não tem assistência à saúde, à educação de qualidade e à segurança, ganhou muita visibilidade nos últimos tempos da vida política nacional. Da mesma forma, ficaram evidentes os escandalosos esquemas de corrupção, a hegemonia do poder econômico nos partidos e os legisladores sendo pagos ilegalmente por grandes empresas, em detrimento dos interesses do povo brasileiro. Percebe-se que há lastros de corrupção em todas as esferas, tanto no poder legislativo quanto no executivo e judiciário, articulados com empresas privadas, como pode ver visto todos os dias nos noticiários.

Mesmo diante deste cenário, que parece desolador, há movimentos por parte de alguns setores produtivos de novas percepções e mecanismos na gestão e nas relações entre capital e trabalho, bem como na cultura das relações interpessoais.

Há muito já sabemos que a empresa não é uma máquina, e o trabalhador (hoje chamado de colaborador em muitas instituições) não é mera peça do mecanismo produtivo. Existe um novo paradigma que emerge e, embora discreto e incipiente, ele ganha visibilidade. Apesar de a tensão original entre capital e trabalho permanecer, cada vez mais se firma a concepção sistêmica de interdependência. Deve haver envolvimento emocional do colaborador com seu trabalho e com sua empresa, assim como deve existir reconhecimento e justiça social por parte de quem gestiona e administra.

Na Unesc, ainda não chegamos aos níveis que realmente sonhamos, em relação à melhoria das condições de trabalho. Passamos por momentos de ajustes e tensões por questões históricas internas e externas, mas, de forma geral, desde que começamos a trabalhar na perspectiva do Desenvolvimento Humano, e não mais dos Recursos Humanos, estamos dando passos importantes e significativos. Temos um plano de carreira progressivo e que, em pouco, terá visibilidade maior e por todos. Temos agora 10% de vagas preferenciais para funcionários em todas as especialidades médicas, nas Clínicas Integradas.

Temos vale alimentação, que, em alguns casos, corresponde a cerca de 10% do salário. Há parceria com a Seguro Liberty Affinity, que traz uma série de vantagens. Existe também o Ânima – Programa de Relações Colaborativas e Valorização Humana –, iniciado em 2013, que oferece Tai Chi Chuan, meditação, ginástica laboral, pronto acolhimento em terapias complementares, Tour Unesc, em que todos os inscritos são liberados um dia do trabalho e passam um dia todo conhecendo os setores, as pessoas e as atividades desenvolvidas pela Unesc, além de uma saída a campo, com atividades diversas para todos, no final do ano.

Uma série de outros benefícios estão em estudo, tomando por base os diálogos estabelecidos no Papo Aberto com a Reitoria e em pesquisas de clima realizadas na Instituição. Da mesma forma, os candidatos à sucessão da reitoria, professora Luciane Ceretta e Daniel Préve, estão, neste momento, até o início de junho, reunindo-se com toda a comunidade acadêmica, professores, funcionários e estudantes, apresentando propostas de ações e coletando sugestões para avançar no processo de gestão da nossa Universidade, que é da comunidade.

Assim, vamos melhorando cada vez mais, e juntos. Afinal, alguém já disse antes: “Sozinho posso ir mais rápido, mas, juntos, vamos mais longe”.

FELIZ DIA DO TRABALHO PARA NÓS, TODOS OS TRABALHADORES!