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sexta, 06 de janeiro de 2017

Gildo Volpato

Ano Novo, tempo de despertar!

A vida se manifesta em ciclos. E é isso que permite a sua continuação. Nosso coração pulsa em tempos ritmados, como o mar, as marés, as estações, o dia e a noite. Contudo, o tempo é um só, tudo flui na universalidade de um contínuo eterno infinito, ou circular. Nós aprendemos a dividir o tempo, baseando-nos nos ritmos da própria natureza, a fim de melhor administrar nossas atividades, registrar a história e sistematizar planos e projetos.

Dessa forma, aprendemos a contar os anos, os séculos, os milênios, os eons e as eras. A cada dia, podemos nos sintonizar com esses ciclos naturais, repousando à noite e despertando com o sol para um novo ciclo de atividades, a fim de novamente repousarmos, e assim sucessivamente. No final de ano, também podemos sentir esse ritmo que nos obriga a parar, refletir, olhar para traz, verificar o que foi feito, o que poderia ser feito, o que podemos ainda fazer e renovar no próximo ciclo de mais um ano.

A correria toda de final de ano foi inventada, pois o tempo continua, a vida continua e não há nada que nos obrigue a mudar a ordem natural das coisas. Viver é melhor que sonhar, mas é muito melhor que correr, quando a correria não nos leva a lugar algum. Todavia, como disse em alguma de suas obras William Shakespeare, “ nós somos feitos do mesmo estofo dos sonhos”. Isso pode ser interpretado como sendo nossos pensamentos e sentimentos (de cuja matéria são feitos os sonhos) que determinam a qualidade de nossas vidas, isto é, vivemos o que pensamos e sentimos, ou sua projeção. Então, para que correr se o coração bate, as folhas balançam e, depois da primavera, o verão inicia? Tudo tem seu tempo, conforme apontava Salomão em seus santos provérbios.

O que há de melhor nessa passagem de ciclo chamada Ano Novo é a possibilidade de refazermos nossos sonhos, projetarmos em nós mesmos a capacidade de sermos melhores, de querermos ser melhores e de fazermos melhor, superarmos o que em nós vemos como dificuldades e, por fim, encararmos os desafios.

Da mesma forma, o que há de melhor nesses momentos de confraternização, de pausa e de reflexão propiciados pelo Natal, que nos lembra esse grande líder, ícone da paz e do amor, Jesus de Nazaré, que histórico ou simbólico, deixa essa marca da Ressurreição, do ressurgimento da morte e da degradação, é o exemplo extremo de que podemos nos servir como modelo de renovação, de superação, de transcendência e de transformação para estados mais elevados de ser.

Em meio a um mundo que exige reflexão, podemos aproveitar esses momentos para pensar: o que tem realmente valor? Onde posso realmente ser melhor? Como posso contribuir para fazer meu ambiente melhorar?

Logo ali será amanhã, e o amanhã pode ser melhor, dependendo do que fazemos hoje. O provérbio chinês antigo já ensinava: “Quem planta arroz colhe arroz, quem planta cebola colhe cebola”. Mais dias menos dias, nós nos encontramos com nossa colheita. O plantio é voluntário, mas a colheita é obrigatória.

Sempre é tempo de despertar. Despertar para um novo tempo que nós mesmos podemos fazer. Despertar para sermos melhores nas pequenas coisas que possam mudar nosso jeito de ser. Despertar para qualidades dos que nos rodeiam, a fim de que possamos viver melhor. Despertar para vermos que cooperação é muito melhor que a competição, que a gratidão nos dá paz e que a solidariedade faz o mundo melhor.

Desejo que possamos sonhar e viver um ano de 2017 melhor para todos, com mais transparência, honestidade, ética, solidariedade, igualdade, fraternidade, saúde, educação, civilidade e capacidade de nos renovarmos sempre.

Feliz 2017!

Prof. Dr. Gildo Volpato – Reitor da Unesc