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Wednesday, 03 de May de 2017

Gildo Volpato

A Extensão é um diálogo amoroso com a sociedade

Quem esteve no campus da nossa universidade no dia 2 de maio, terça-feira, teve a oportunidade de conhecer uma pequena mostra do que estamos realizando com nossos programas de extensão. Geograficamente espalhados pelo campus, dezenas de acadêmicos e professores, de todas as áreas do conhecimento e com projetos sobre dezenas de temas, uniam-se sob a bandeira da missão social de uma universidade comunitária, no seu braço mais diretamente relacionado com a comunidade: a extensão.

Sabemos que o tripé básico de uma universidade é constituído pelo ensino, pesquisa e extensão. Três campos de atividades com identidades, conceitos e metodologias próprias, mas estreitamente vinculados a uma causa maior, a melhoria da sociedade como um todo. Quanto mais indissociados estiverem esses três eixos, maior qualidade terá cada um deles.

O ensino, enquanto espaço formal de transmissão de conhecimento e formação profissional, é amplamente qualificado quando acadêmicos se inserem em projetos e programas de pesquisa e extensão. Da mesma forma, a produção e a construção de conhecimento pela pesquisa ganha forma e dinâmica enquanto atividade de ensino e extensão. Já as ações de extensão dão sentido ao ensino e à pesquisa, focando no motivo maior da instituição como a nossa, que é a melhoria social, um diálogo produtivo e profícuo com as comunidades, principalmente com aquelas que mais precisam exercitar sua autonomia e desenvolvimento sociocultural, político e econômico.

Dia 2 foi e é o Dia da Extensão na Unesc. Todavia, quem está dentro de uma Universidade Comunitária como a nossa sabe que todo dia é dia de Extensão. Atualmente, existem 12 projetos por Unidade Acadêmica (um total de 48 projetos de extensão), sendo que 12 estão diretamente ligados à Propex, no Programa Território Paulo Freire, e 7 são coordenados pelo DIDH (Diversidade e Direitos Humanos). Além disso, há também os projetos institucionais, que são coordenados diretamente pela UNAs, um total de 112 projetos, os quais envolvem 279 bolsistas.

Merecem destaque os projetos do Programa Território Paulo Freire, que é uma iniciativa da Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão da Unesc, pela inovação, no sentido da própria comunidade que define as áreas, os temas e o perfil dos projetos a serem contemplados no Edital a ser publicado.

Tudo isso é revisado temporariamente em novas reuniões com a comunidade, verificando a existência de novas demandas e as adaptações necessárias aos projetos trabalhados. Cada projeto deve absorver pelo menos dois professores de áreas distintas, fortalecendo o caráter interdisciplinar e um olhar mais amplo e profundo de cada questão.

O Território Paulo Freire tem como objetivo principal desenvolver projetos que ampliem a capacidade de autonomia das comunidades. Ele abrange os bairros que compõem o entorno da Unesc e que fazem parte do que se denomina Grande Santa Luzia.

Mas não é só isso. A extensão na Unesc, nesse diálogo universidade-comunidade e comunidade-universidade, indo além muros, também acolhe a comunidade por meio das Clínicas Integradas, da Unidade Judiciária de Cooperação (quase um fórum dentro do campus) e das Casas da Cidadania localizadas na região.

Nos dados já concluídos do ano passado, as Clínicas Integradas realizaram 65.430 atendimentos, tendo 30.120 pacientes cadastrados em serviços de Medicina, Fisioterapia, Psicologia, Farmácia Solidária, Nutrição, Enfermagem, Odontologia, Biomedicina, S.O.S. Unesc, Ambulatório de Feridas e CER (Centro Especializado em Reabilitação).

É importante frisar que nosso conceito de extensão e, por consequência, seus programas e projetos foram concebidos a partir de abordagens diferenciadas, adotando os referenciais teóricos do educador Paulo Freire, cujo legado é reconhecido nacional e internacionalmente. Da mesma forma que ele diz que “ensinar não é meramente transferir conhecimento, mas criar condições para a construção e recriação de quem supostamente ensina”.

Para o mestre Paulo Freire, assim como para nós da Unesc, fazer extensão é, por essência e definição, dialogar com a comunidade, aprender com a comunidade e trocar olhares na diversidade possível que configura a riqueza da realidade.

Como diz o mestre, “o diálogo é o encontro amoroso dos homens que, mediatizados pelo mundo, o pronunciam, isto é, o transformam e, transformando-o, o humanizam para a humanização de todos”.